quarta-feira, 13 de abril de 2011

O que da vida não se descreve...

Eu me recordo daquele dia. O professor de redação me desafiou a descrever o sabor da laranja. Era dia de prova e o desafio valeria como avaliação final. Eu fiquei paralisado por um bom tempo, sem que nada fosse registrado no papel. Tudo o que eu sabia sobre o gosto da laranja não podia ser traduzido para o universo das palavras. Era um sabor sem saber, como se o aprimorado do gosto não pertencesse ao tortuoso discurso da epistemologia e suas definições tão exatas. Diante da página em branco eu visitava minhas lembranças felizes, quando na mais tenra infância eu via meu pai chegar em sua bicicleta Monark, trazendo na garupa um imenso saco de laranjas. A cena era tão concreta dentro de mim, que eu podia sentir a felicidade em seu odor cítrico e nuanças alaranjadas. A vida feliz, parte miúda de um tempo imenso; alegrias alojadas em gomos caudalosos, abraçados como se fossem grandes amigos, filhos gerados em movimento único de nascer. Tudo era meu; tudo já era sabido, porque já sentido. Mas como transpor esta distância entre o que sei, porque senti, para o que ainda não sei dizer do que já senti? Como falar do sabor da laranja, mas sem com ele ser injusto, tornando-o menor, esmagando-o, reduzindo-o ao bagaço de minha parca literatura?
Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase. "Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!"
Eu nunca mais pude esquecer aquele dia. A experiência foi reveladora. Eu gosto de laranja, mas até hoje ainda me sinto inapto para descrever o seu gosto. O que dele experimento pertence à ordem das coisas inatingíveis. Metafísica dos sabores? Pode ser...
O interessante é que a laranja se desdobra em inúmeras realidades. Vez em quando, eu me pego diante da vida sofrendo a mesma angústia daquele dia. O que posso falar sobre o que sinto? Qual é a palavra que pode alcançar, de maneira eficaz, a natureza metafísica dos meus afetos? O que posso responder ao terapeuta, no momento em que me pede para descrever o que estou sentindo? Há palavras que possam alcançar as raízes de nossas angústias?
Não sei. Prefiro permanecer no silêncio da contemplação. É sacral o que sinto, assim como também está revestido de sacralidade o sabor que experimento. Sabores e saberes são rimas preciosas, mas não são realidades que sobrevivem à superfície.
Querer a profundidade das coisas é um jeito sábio de resolver os conflitos. Muitos sofrimentos nascem e são alimentados a partir de perguntas idiotas.
Quero aprender a perguntar menos. Eu espero ansioso por este dia. Quero descobrir a graça de sorrir diante de tudo o que ainda não sei. Quero que a matriz de minhas alegrias seja o que da vida não se descreve...
Pe. Fábio de Melo

João Paulo II terá memória litúrgica em outubro

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos emitiu um decreto regulamentando o culto litúrgico ao papa João Paulo II.
O Vaticano escolheu o dia 22 de outubro para fazer memória ao futuro beato. No próximo dia 1º de maio, o papa Bento XVI presidirá a beatificação de João Paulo II.
Leia o decreto na íntegra:
Para o culto litúrgico e prestação de homenagem em honra ao Beato João Paulo II.
Em caráter excepcional, reconhecida por toda a Igreja Católica espalhada por toda a terra é a beatificação do Venerável João Paulo II, de feliz memória, que acontecerá na Praça São Pedro, em Roma, presidida pelo Santo Padre Bento XVI.
Em vista de tal extraordinariedade, foi recebido numerosos pedidos sobre o culto litúrgico em honra do novo beato. Segundo pontos e formas estabelecidas pela lei, esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos comunica a disposição destes pedidos.
Se dispõe que no ano sucessivo à beatificação de João Paulo II, até o dia 1º de maio de 2012, seja possível celebrar uma Santa Missa em Ação de Graça nos lugares e dias significativos. A responsabilidade de estabelecer o dia ou os dias, como também o lugar e os lugares de encontro do povo de Deus, compete ao bispo diocesano para a sua diocese. Consideradas as necessidades físicas e as conveniências pastorais, se concede a possibilidade de celebrar uma Santa Missa em honra ao novo beato em um domingo durante o ano como também em um dia entre 10 e 13, da tabela dos dias litúrgicos.
Do mesmo modo, para as famílias religiosas compete ao Superior Geral oferecer indicações sobre os dias e lugares significativos para toda a família religiosa.
Para a Santa Missa, haverá a possibilidade de cantar o Glória, recolhimento da coleta em honra ao beato. Já as outras orações, o prefácio, as antífonas e leituras bíblicas são extraídas em comunhão com os pastores para a memória de um papa.
Se ocorrer num domingo durante o ano, para as leituras bíblicas, se poderá escolher textos adequados pela Comunidade dos pastores para a primeira leitura, Salmo responsorial e ao Evangelho.
Fonte: A12

Papa adverte contra morte espiritual

O papa Bento XVI advertiu neste domingo (10) que não existe apenas a morte física, mas também uma morte espiritual, que corre o risco de acabar com a vida do ser humano.
Esta foi a explicação do Pontífice antes da oração mariana o Ângelus, com milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.
"A morte representa para nós uma espécie de muro que nos impede de ver além; no entanto, nosso coração tenta ver além desse muro e, ainda que não possamos conhecer o que esconde, nós o pensamos, imaginamos, expressando com símbolos nosso desejo de eternidade”, afirmou o Santo Padre.
Bento XVI afirmou que o ser humano anseia por uma pátria que o receba no final de suas fadigas. No entanto, ele mesmo reconheceu que a fé na vida eterna não é algo fácil.
"Inclusive entre os cristãos, a fé na ressurreição e na vida eterna é acompanhada por muitas dúvidas, por muita confusão, porque se trata de uma realidade que supera os limites da nossa razão e exige um ato de fé", ressaltou.
“Mas, com a fé em Cristo, tudo se transforma. Esta é a verdadeira novidade, que irrompe e supera toda barreira! Cristo derruba o muro da morte; nele se encontra toda a plenitude de Deus, que é vida, vida eterna”, declarou.
A outra morte – Bento XVI ainda acrescentou que há outra morte, que custou a Cristo a luta mais dura, inclusive o preço da cruz: trata-se da morte espiritual, do pecado, que corre o risco de arruinar a existência do homem.
"Cristo morreu para vencer esta morte e sua ressurreição não é a volta à vida precedente, mas a abertura a uma nova realidade, a uma ‘nova terra’, finalmente reconciliada com o céu de Deus."
Antes de despedir-se dos peregrinos, o Pontífice pediu que os fiéis confiem em Nossa Senhora para que nos ajude a renovar a fé em Cristo.
“Diante da proximidade do começo da Semana Santa, confiemo-nos a Nossa Senhora, que já participa desta ressurreição, para que nos ajude a dizer com fé: ‘Sim, Senhor, eu creio que tu és o Messias, o Filho de Deus', a descobrir que Ele é verdadeiramente a nossa salvação", concluiu.
Fonte: A12

Venho,Senhor Oferecer - Maria do Rosário

Igreja no Brasil ganha três novas Arquidioceses

A Igreja no Brasil amanheceu nesta quarta-feira, 13, com três importantes novidades. O Papa Bento XVI erigiu as Províncias Eclesiásticas de Pelotas, Santa Maria e Passo Fundo, todas no Rio Grande do Sul. A mudança faz com que todas passem a ser Arquidioceses, cada uma com suas respectivas dioceses sufragâneas (subordinadas). Até então, o estado contava apenas com a Arquidiocese de Porto Alegre, à qual estavam ligadas todas as dioceses gaúchas.
A Província Eclesiática de Porto Alegre conserva as dioceses sufragâneas de Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Osório e Montenegro.
- Província Eclesiástica de Pelotas
Elevada a Igreja Metropolitana a sede bispal de Pelotas. As dioceses sufragâneas são Bagé e Rio Grande. O primeiro Arcebispo Metropolitano é Dom Jacinto Bergmann, até então Bispo de Pelotas;
- Província Eclesiástica de Santa Maria
Elevada a Igreja Metropolitana a sede bispal de Santa Maria. As dioceses sufragâneas são Uruguaiana, Cruz Alta, Santo Ângelo, Santa Cruz do Sul e Cachoeira do Sul. O primeiro Arcebispo Metropolitano é Dom Hélio Adelar Rubert, até então Bispo de Santa Maria;
- Província Eclesiástica de Passo Fundo
Elevada a Igreja Metropolitana a sede bispal de Passo Fundo. As dioceses sufragâneas são Vacaria, Frederico Westphalen e Erexim. O primeiro Arcebispo Metropolitano é Dom Pedro Ercílio Simon, até então Bispo de Passo Fundo.
Fonte: Canção Nova