quinta-feira, 7 de abril de 2011

Atentado a escola feriu a todos os cariocas, diz arcebispo do Rio

O arcebispo da arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, divulgou uma nota lamentando o atentado à Escola Municipal Tasso Fragoso da Silveira, na capital fluminense.
Segundo o arcebispo, o atentado feriu não só aqueles que foram atingidos, mas também a todos os cariocas.
O atentando ocorreu na manhã desta quinta-feira (7) quando Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, invadiu a escola e disparou vários tiros.
Já foram confirmados 11 mortos (9 meninas e 1 menino), mais o atirador, e 17 feridos com gravidade. Segundo a polícia, Wellington era ex-aluno da escola, que fica no Realengo.
Veja a íntegra da nota de Dom Orani:
Nota do Arcebispo do Rio sobre o atentado na Escola Tasso Fragoso da Silveira.
O atentado a tiros contra alunos, alunas, funcionários e outras pessoas, agora pela manhã, na Escola Municipal Tasso Fragoso da Silveira, em Realengo, zona oeste de nossa cidade, que resultou também em mortos e com a consequente morte do atirador, feriu não só aqueles que foram atingidos, mas também a todos os cariocas.
Como Pastor desta Arquidiocese, lamento profundamente o acontecido, rezo e uno-me à dor de todos que foram vitimados, pais, familiares e amigos. Peço ao Senhor Jesus, neste tempo de Quaresma, que a todos conforte e envio também uma bênção especial, pedindo a Deus que tal fato não volte a acontecer em nossa cidade.

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

Como vencer a violência?

Quando Deus é retirado de cena, o homem ocupa o lugar d'Ele.

A Igreja ensina as razões profundas da violência; acima de tudo está num coração sem Deus, sem amor ao irmão, que não é visto como “imagem e semelhança de Deus”. E quando Deus é retirado de cena, o homem ocupa o lugar d’Ele e a dignidade humana já não é mais respeitada. O “não” dito a Deus acaba se transformando em um “não” dito ao homem, por isso vemos hoje a pior de todas as violências, o aborto e a eutanásia, o sacrifício da vida humana; além dos assaltos, sequestros, roubos, corrupções de toda ordem, pedofilia, estupros, incestos, violência nos lares contra as crianças, etc.
Não basta encher as nossas ruas de policiais armados e bem equipados para acabar com a violência – embora isso seja necessário para lhe dar combate imediato –, é preciso mais. É preciso a “educação para a paz”. Essa educação exige que se ensine às crianças e aos jovens, nos lares e nas escolas, a dignidade de todo e qualquer ser humano. A moral cristã tem como base essa dignidade. Tudo aquilo que a Igreja condena como imoral é porque fere a dignidade da pessoa. A base da violência está na falta da vivência moral e na relativização do que seja o bem; o mal tem gerado muitas formas de violência.
Um fator de importância máxima na questão da violência é a família, pois ela é a “escola de todas as virtudes”, e é nela que a criança deve aprender com os pais e os irmãos a respeitar e a ser respeitada. Mas como vai a família? Infelizmente mal; a imoralidade tem destruído a família e seus valores cristãos. Muitas estão destruídas e muitos filhos sem a presença imprescindível dos pais para educá-las. Milhares de adolescentes e jovens ficam grávidas sem ao menos terem um lar para receber seus filhos. Como disse o saudoso Papa João Paulo II, no Brasil há milhares de crianças “órfãs de pais vivos”. Que futuro terão essas crianças? Muitas delas acabarão na rua e no mundo do crime e da violência. Sabemos que quase a totalidade dos nossos presos são jovens.
E por que tantos jovens acabam no mundo do crime? Porque lhes faltam um pai e uma mãe que lhes ensinem o caminho da honradez, da virtude, da escola e do trabalho. O trabalho é a sentinela da virtude.
Hoje quase não faltam escolas para as crianças, nem mesmo catequese nas paróquias, mas faltam os pais que as conduzam à escola e à igreja. Portanto, sem a reestruturação da família, segundo o coração de Deus, na qual não existam o divórcio, a traição, o incesto, as brigas, o vício, o estupro, a pedofilia, etc., não se poderá acabar com a violência na sociedade.
Sem Jesus, sem o Evangelho, sem a vivência moral ensinada pela Igreja de Cristo, não haverá paz verdadeira e duradoura. Sem isso será inócuo lutar pela paz. Diz o salmista que “se não é Deus quem guarda a cidade, em vão vigiam os seus sentinelas” (Sl 126, 1).

Felipe Aquino

Ser cristão é decidir-se por Deus

As leituras litúrgicas, durante o período da Quaresma, colocam os fiéis diante do que significa ser cristão. Durante todo este tempo que antecede a Páscoa do Senhor, o Evangelho convida a refazer o compromisso com Jesus assumido no batismo.
De acordo com o bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, Dom Joaquim Justino Carreira, o Tempo da Quaresma é um período muito especial para a vida cristã, pois é o momento de renunciar algumas atitudes para dar lugar a um homem novo. “Ser cristão é realmente decidir-se por Deus. Renunciar todos os dias ao homem velho, ao pecado que nos deixa na solidão, para que o Espírito Santo entre em nosso coração e com seus dons nos faça pessoas felizes, unidas a Deus e a serviço um dos outros”, afirmou o bispo.
Fonte: Blog Semana Santa