quinta-feira, 31 de março de 2011

Beatificação de João Paulo II deve receber mais de 300 mil pessoas

“Hoje a cidade de Roma atende pelo menos 300 mil peregrinos, mas está pronta para acolher um número maior”, disse o responsável pela organização, padre Libério Andreatta.
Para receber todos esses peregrinos, estão sendo fortalecidas as estruturas nas regiões próximas à Praça de São Pedro e no centro de Roma, na Itália. Na região de Lazio, na grande Roma, haverão espaços para hospedar os jovens.
Cerca de 2.500 voluntários estarão disponíveis para dar informações nos principais pontos de Roma.
Para segurança dos visitantes, um acordo foi afirmado com os hotéis da cidade e um número de telefone que atenderá em diversos idiomas foi colocado à disposição para o evento: 060606.
A fim de facilitar o transporte e a circulação também no dia que antecede e após a beatificação, a Obra Romana de Peregrinação, organizadora oficial do evento, idealizou o “JP2-pass” ao custo de 18 euros. O serviço garantido por esse passe são o transporte público urbano dentro de Roma que engloba ônibus, trem e metrô que funcionarão até às 2h da noite. Um vale refeição para o dia 1º de maio e um kit informativo, que descrevem os eventos ligados à beatificação, fazem parte também do “JP2-pass”.
A organização lembra que o “JP2-pass” não é um ingresso para assistir a cerimônia de beatificação.
A Missa, celebrada no dia 1º de maio pelo Papa Bento XVI na qual ele proclamará Beato João Paulo II, terá entrada gratuita a todos aqueles que desejarem participar e que poderão chegar à Praça de São Pedro a partir das 5h da manhã.
Na noite do sábado, 30 de abril, depois da vigília que será realizada no Circo Máximo, em Roma, prevista para começar às 20h, as igrejas do centro da cidade permanecerão abertas para receber os peregrinos.
Padre Andreatta especificou que a organização não pediu contribuições estatais, apenas pediu apoio a organizações privadas para cobrir as despesas desse grande evento que deve custar de três a quatro euros por fiel.

A Caridade

Meditando sobre os Evangelhos, impressiona-nos a mensagem de Cristo, fundada totalmente no amor aos irmãos, na caridade. Poucas vezes, o Divino Mestre fala do amor que devemos ter para com Deus. Do Pai, Ele sempre nos apresenta como o doador de tudo, que nos ama a ponto de dar o Filho à morte para a salvação dos homens. Raras vezes, e foram sempre respostas aos fariseus e aos legistas, em que reafirmou o primeiro mandamento do amor a Deus, mas, logo, a seguir completa-o o amor ao próximo, que lhe é semelhante. Ilustra-o na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10, 25-37).
As cartas do apóstolo João insistem no mesmo diapasão. Catequeticamente, e com clareza apostólica, afirma que aquele que diz amar a Deus e não ama a seus irmãos é mentiroso. E continua que é muito fácil proclamar que amamos a Deus, a quem não vemos, mas se desprezamos o irmão que está a nosso lado, onde está a caridade, onde está o amor? (1Jo.4,20).
Paulo, na sua Carta aos Coríntios (I Coríntios 13), proclama e exalta a caridade. Quase sabemos de cor o texto maravilhoso. Somos levados a interpretar esse hino como o amor ao Pai Celeste. Mas, o apóstolo fala é da excelência do amor entre os irmãos. “Ainda que eu falasse todas as línguas dos anjos, ou tivesse toda a ciência, sem a caridade seria um bronze que soa” e cujo som se perde nas quebradas dos montes.
Logo a seguir nos ensina em que consiste a caridade: na paciência, na humildade, no fazer o bem, na longanimidade, na partilha da dor e da alegria com os irmãos, no perdão tão difícil. E conclui pela perenidade do amor e da caridade. Tudo cessa quando vier a perfeição, exceto a caridade, pela qual seremos medidos.
No dia do Juízo, quando o Filho do Homem, na Sua glória, vier nos julgar, escreve o evangelista Mateus, Ele não nos questionará sobre o amor de Deus, sobre a nossa fé, sobre as coisas grandiosas que tivermos feito. O questionamento e a glória decorrente será sobre o nosso coração, se ele se abriu ou fechou sobre os pequeninos, que moravam em nossas casas, no nosso bairro, na nossa comunidade.
Nos primeiros hinários depois do Concílio, cantávamos: “Como posso ser feliz, se ao pobre, meu irmão, eu fechei o coração, meu amor eu recusei! Já nesta vida mortal, podemos sentir as delícias desta vida fraterna, como rezamos nos salmo: ó quão bom e quão e alegre, a vida comum entre os irmãos”.
Não é fácil o exercício dessa caridade, o empecilho do pecado que herdamos de Adão leva-nos a outro tipo de vida. Conhecedor da natureza humana, Jesus, no Sermão da Montanha, nos dá regras práticas de sua vivência.
Os bem-aventurados do Reino não são os poderosos e sábios, mas aqueles que vivem o despojamento total da autoconfiança, na simplicidade de espírito. Não é a letra da lei que importa: “Ouvistes o que foi dito aos antigos [...]” e repetindo os mandamentos, dá-lhes o sentido vivencial pleno, exemplificando nos atos que devem nascer do coração renovado (Mateus 5, 17-47). Enquanto vigorava a lei de talião: dente por dente, olho por olho, ensinava a grandeza do perdão, que reitera na resposta a Pedro, logo no início do discurso eclesiástico, no Evangelho de Mateus ( Mateus 18,21-22).
Neste mesmo capítulo 18, na parábola do devedor implacável, diz-nos como seremos tratados se não perdoarmos, de coração, ao irmão. E como se não bastasse a Sua Palavra, deu-nos o Seu exemplo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” e entregou-se por nós na cruz.

Dom Eurico dos Santos Veloso