sábado, 9 de abril de 2011

Quem crê em Mim, viverá

Aproximamo-nos da Semana Santa, ocasião em que nos centramos, não apenas no mistério do amor de Jesus Cristo, em sua morte de cruz, mas também nos pomos a contemplar a vitória grandiosa do Senhor, por ocasião de sua triunfal ressurreição. E assim Jesus nos quer afirmar a certeza de uma vida nova, a vida eterna, após a morte, o destino comum de todos nós, seres mortais.
Evidentemente, a felicidade da vida eterna se acha condicionada às disposições espirituais, a trazermos conosco, no momento derradeiro da passagem desta vida terrena para a eternidade. Nosso Divino Mestre nos mostra, com clareza, a disposição interior para a obtenção do prêmio do encontro definitivo no amor de Deus: “E os justos ressuscitarão para a vida eterna”.
Na linguagem bíblica, a justiça significa uma vida de santidade, e pela qual a criatura humana está sempre a manter-se na mais estreita união com a vontade amorosa de Deus, no fiel cumprimento dos preceitos divinos. A Semana Santa, a cada ano, deve trazer-nos frutos espirituais, com os nossos corações sempre mais purificados do pecado, e devidamente aptos para a venturosa chegada ao gozo do Céu. Esta é, sem dúvida, a grande lição do episódio da ressurreição de Lázaro, ao obedecer prontamente a ordem de Jesus: “Lázaro, vem para fora”. Lázaro gozava de especial amizade da parte do Cristo Senhor, e, sobretudo, procurava corresponder a esta privilegiada amizade, comprometendo-se com o estilo de vida de verdadeiro homem justo. Nele se cumpriam as palavras acima aludidas: “E os justos ressuscitarão para a vida eterna”.
Antes, porém, da ressurreição do corpo, importa que ressuscitemos em nossa alma, ao optarmos para a vida nova, conforme a admoestação do apóstolo São Paulo: “Que a vossa vida esteja escondida com Cristo, em Deus”. O pecado acarreta autêntico estado de morte espiritual, expondo-nos ao risco da condenação, mas a renúncia ao pecado, ao contrário, nos leva à chamada conversão, pela qual ressuscitamos interiormente para a vida da Graça Divina, e a capacitar-nos para a Ressurreição final e definitiva. Mais uma vez, o apóstolo São Paulo nos orienta: “Se porém, Cristo está em vós, embora vosso corpo esteja ferido pelo pecado, no entanto, vosso espírito está cheio de vida, graças à justiça em que vos encontrais”. Esta afirmação do Apóstolo nos resume os verdadeiros frutos da mais abençoada Páscoa: Jesus Cristo permanentemente em nós, e nossa alma repleta das alegrias da vida de Deus, o nosso máximo tesouro!
Dom Roberto Gomes Guimarães (Bispo Diocesano de Campos)

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